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terça-feira, 15 de janeiro de 2019

3º Sinav - Seminário de Ilustração e Narrativa Visual

Olá, aqui quem digita é Andressa Gohan e mais uma vez falo sobre o 3º SINAV – Seminário de Ilustração e Narrativas Visuais, realizado nos dias 16 a 18 de novembro de 2018, no Centro Cultural Sesc Glória, em terras capixabas conhecido como o Acre do Sudeste. Vale a pena ver de novo citar que aqui nas minhas terrinhas somos muito pobres em eventos e eixos temáticos para artistas como já quebrei o pau comentei em alguns textos aqui do site.

cartaz deste ano e convidados, sente o drama

Este ano foram muitos temas interessantes (você pode conferir no face deles a programação) e especialmente convidados o modafoka super máster ilustrador Hiro Kawahara presente tanto na palestra de grátis “ Ilustração e mercado: caminhos possíveis” como na oficina que esgotou a venda em 3 milésimos de segundo “Introdução ao desenho intuitivo e dinâmico”. Não pude participar de nenhum deles, mas conversei com quem foi e chorei horrores por não ter condições de ir me disseram que foi um aprendizado fantástico. O conhecimento que ele tem e passou pra galera sobre contratos e mercado foi muito bom e não é incomum ver artistas tomando pernada com dificuldade em estabelecer bons negócios, visto que se costuma desenvolver o lado artístico, mas não o lado comercial, burocrático.
como não amar o traço do Hiro?

Eu gostaria de participar todos os dias, mas tive uma vida de rainha sentada no trono por um probleminha de saúde somente consegui participar no domingo e com limitação de horário de retorno vulgo peão que acorda cedo pra trabalhar na segunda, então segue aí uma resenha e algumas dicas bacanas sobre o que pude acompanhar do evento:

O processo de criação da capa comentado
Ilustrando uma capa de livro: o orangotango marxista: uma aula com Luciano Feijão sobre todas as tretas o processo criativo que foi utilizado para a criação das capas de livros e como influencia o desejo da pessoa gastar dinheiros ler, ter interesse pelo conteúdo se cagar de medo como no nosso livro de contos de terror, enfim, criar uma imagem que resuma toda a obra.
Ele citou a importância de buscar referências, manter o foco na produção, como imprimir e rascunhar todas as ideias e posicionar em seu ambiente de trabalho podem ajudar na criação de um conceito. Outro ponto que achei de extrema importância é de como o artista deve tentar várias e várias vezes até encontrar a excelência em algum trabalho, não se conformar com aquele primeiro esboço, dar várias alternativas de escolha para o cliente.

Ah e não faltou uma confissão de que em trabalhos anteriores ele não estipulava quantidade limite de alterações (sem cobrar por isto) para as ilustrações em seu processo de criação (em um de seus trabalhos chegou a ser alterado 20 vezes até o resultado final ser aprovado!). Ele acompanhou as dicas na palestra do Hiro e foi perceptível o quanto saber empreender é tão importante quanto treinar para melhorar o traço do artista.
Outro ponto apresentado é que a expressão “brasileiro não desiste nunca” que inclusive soa bem melhor do que “jeitinho brasileiro” ódio nojo disso tem muito a ver com esse trabalho de artista independente, uma vez que ele teve algumas ilustrações recusadas e nem por isso desistiu de tentar publicá-las. Para isso renova mensalmente seu portfólio, envia sempre novas ilustrações, está sempre se renovando nesse sentido. Uma grande lição, certamente!
uma capa de livro bordada, quem diria?

o clima de mistério aqui reproduzido





















Lugar de início e destino: um livro de imagens – Liliana Sanches e Fábio Birou: nesta palestra rolou meu corpo depois da ceia de natal um bate papo sobre uma premiação em que Liliana foi contemplada em 2017, pela FUNCULTURA SECULT, de projetos culturais setoriais de Artes Visuais. Neste projeto apresentado, ela cita a questão da carga afetiva presente na casa/lar que nem sempre é dada a devida importância. Sua representação como ambiente de transformação, de amadurecimento, o destino inicial e final profundo isso. Quantas vezes vemos naqueles mangás os personagens deitados na cama e vários objetos, trazem muita riqueza ao cenário e ilustram as características do personagem.
O que chamou atenção também foi como sou noob nisso a possibilidade de participação de editais de centros culturais (cada estado com seus respectivos tipos) e que pode contemplar projetos pessoais de acordo com a necessidade da entidade governamental ou até mesmo particulares (como o Itaú Cultural, por exemplo).

Avaliação de portfólios com Davi Calil: para fechar o domingo, levei umas ilustras para avaliação de portfólio com o simpático Davi Calil, que reuniu quem se dispôs a ser analisado para repassar de forma coletiva cada uma das dicas, uma vez que o feedback para um poderia servir para outro. É muito proveitoso ver alguém do gabarito dele falar de forma suave e com uma visão bem ampla do que podemos melhorar no que é tão difícil de reunir: o portfólio. Depois do bate papo foi possível ver com mais clareza qual caminho seguir e as dicas que mais curti foram: reunir trabalhos mais atuais e de maior qualidade, não sobrecarregar a pasta do portfólio com vários trabalhos (pode cansar quem te avalia), definir de forma objetiva qual é a imagem que você quer levar como artista ao cliente (quadrinista, designer, colorista, animador, etc), manter seu material de portfólio impresso e deixar um arquivo digital somente para o caso do cliente solicitar.
estudo de cores, a especialidade de Davi Calil

Um ponto muito positivo que vale citar é a forma de posicionamento da ala dos artistas, pois quem chegava ao evento já visualizava de início os expositores, antes de chegar às oficinas ou no auditório para as palestras. No ano anterior foram separados nos andares e havia a possibilidade de não encontrá-los. Isso ajuda muito na hora de ganhar dinheiros para pagar boletos, pois todos os artistas ali são independentes e este é um momento único para encontrar o público alvo. Logo em seguida vinha o espaço das oficinas pra pessoas idiotas como eu não se perderem como sempre em vidro translúcido e podíamos visualizar o espaço, tudo muito bem estruturado como todo o prédio do SESC Glória puxo saco mesmo, aliás aceito patrocínio.
Enfim, mais um ano neste evento bacanérrimo, não vejo a hora da próxima para adquirir cada vez mais conhecimento nesta área e trazer as novidades aqui pra vocês.
E na sua cidade tem algum evento voltado para a área dos artistas? Conta pra gente!


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terça-feira, 19 de setembro de 2017

Um aprendizado eterno

Olá, aqui quem digita é Andressa Gohan e desta vez venho babar ovo falar sobre o 2º SINAV – Seminário de Ilustração e Narrativas Visuais, realizado nos dias 02 e 03 de setembro de 2017, no Centro Cultural Sesc Glória um prédio bonito pra kct restaurado lindão, em parceria com o Núcleo de Pesquisa em Ilustração Editorial (Nupie). O evento contou com uma infraestrutura insana, pois o Centro Cultural está muito bem conservado lustres no teto dignos de Castlevania, possui acessibilidade, bebedouros e banheiros impecáveis e uma climatização ar condicionado modafoka delícia de muita qualidade. O evento foi em homenagem ao chargista Milson Henriques, que faleceu em 2016 após uma luta contra a leucemia.

Ilustração de Lucas Reis Pereira
Olha que vista bonita do 5º andar do prédio





















Apesar do evento contar com temas que a princípio seriam exclusivos para estudantes da área de ilustração/artes, é bem democrático e os tópicos foram apresentados de uma forma bem generalizada, sendo facilmente inteligível ao público em geral. Eu não pude ir aos dois dias disponíveis devido a um marido chato chorando porque ia ficar um domingo inteiro sem minha ilustre presença necessidade de descansar um dia durante a semana, uma vez eu trabalho de segunda a sexta true life todos chora, então escolhi ir no domingo com o coração partido pois sábado também estava do caraleow. A amiga de estúdio e de vida, Cristiane Armezina também esteve presente e juntas enfartamos a cada dica nova fizemos muitas anotações bacanas das dicas repassadas pelos convidados e essa cagona ganhou um print no sorteio que cagada da porr.

Local em que foram realizadas as palestras de grátis

As atrações ficaram direcionadas para Workshops baratíssimos do dia e palestras/mesa redonda, ambos com gente foda padrão humilhation renomados artistas ou pessoas ligadas a área de narrativas visuais. Além disso, durante o período da tarde, rolou uma bônus fase feira de materiais independentes de artistas locais conheci tudo no anime dark, sou fãgirl assumida, pronto falei e seus maravilhosos materiais.

Çocorrro é muito fofo!!!










Trabalhos super ultra mega cutes do Atelier Cafuné http://stellakris.com/cafune e no face: /ateliercafune









Material muito bacana do Thiago Egg, que inclusive este ano está confirmadíssimo na CCXP 2017 com seu projeto lançado no Catarse "Amahoy", nossos mais sinceros votos de sucesso /o/







Felipe Dias, responsável pela arte da HQ




Aqui também foi possível acompanhar o trabalho de Felipe Dias e Cleber Augusto, Hotel Califórnia, uma HQ muito bem feita e que vale a pena manter contato no face /diaspiores para adquirir o seu.








Um material muito bacana também estava disponível da galera do Abraço Radioativo, do casal  com perfil no instagram @cecyand25 e @jalo_oh, honestamente sou apaixonada pelos adesivos deles, são incríveis!





O lindo trabalho do Cadernorama, que dispensa apresentações <3
Com um total de 4 ilustradores, o grupo que compõe o Instituto Fênix mandou super bem nos prints
Obs.: houveram mais expositores, mas somente adicionei quem possuía algum tipo de rede social ou página para acesso me julguem. 

Primeiramente, os artistas que estava na mesa redonda durante a parte da manhã foram Luciano Feijão (ES), André Rocca (SP), Maurício Planel (RJ) e na mediação Arabson Assis (ES). A diversidade do trabalho que cada um possui proporcionou uma grande troca de experiências e um grande aprendizado, dos quais repasso para vocês:


Luciano Feijão: Para pessoas que possuem grande demanda de trabalhos que pedem um prazo muito curto de entrega, utilizar um banco de imagens próprio, de forma a utilizar cada um deles em sistema de montagem nos programas adequados para cada caso (muito eficiente para webtiras, imagens abstratas, etc.);
Ilustra cheia de personalidade de Luciano Feijão
André Rocca: por possuir uma vasta experiência com animação, uma dica repassada foi para quem tem o hábito de utilizar o sketchbook, observar as pessoas com suas individualidades, como a forma que se sentam, como cruzam os braços, forma de andar, enfim, as peculiaridades de cada indivíduo e aplicar ao personagem, para enriquecer a personalidade dele e agregar conteúdo a sua história;

O belíssimo trabalho de André Rocca

Maurício Planel: por mais que o artista possua sua personalidade e preferências, ás vezes acontece de ter um trabalho que não condiz com isso, ocasionado até mesmo uma ruptura destes princípios. Uma condição favorável nestes casos é usar recursos, como a ironia (mensagens subliminares), para realizar o trabalho solicitado. Desta forma, não se perde a personalidade e a opinião do artista e todos os interesses são atendidos. Claro que tudo depende do tipo de trabalho que será apresentado e se o cliente concordará com o resultado final;

A incrível arte de colagens do Maurício

Ponto em comum por eles citados: arte tradicional x arte digital – uma não é melhor nem pior que a outra e não se anulam. Casa uma tem seu espaço e mesmo com toda a modernidade que alcançamos, a arte tradicional continua forte e amada, devido ao seu efeito inesperado e único tipo se cagar, cagou, não tem CRTL+Z.

Pela parte da tarde, a palestra foi ministrada pela capixaba Bebel Abreu e diferente dos anteriores, não é Ilustradora, mas sempre participa de eventos ligados á este meio, motivo que fez com que criasse (em parceria com a irmã) o Mandacaru, estúdio independente de produção cultural e comunicação, além do Bebel Books, uma editora independente. Devido a isso, apresentou o nicho do mercado artístico e que tudo é possível de se fazer, mesmo com baixo orçamento, desde que se tenha um bom planejamento, muito trabalho e boas pessoas para apoiar suas ideias. Sua carreira começou de forma despretensiosa e ganhou muitos dinheiros fama por uma publicação conhecida como “Suruba para colorir”, em que reúne artistas com ilustrações muito divertidas sobre o tema e tive o prazer opa de verificar a qualidade das potarias do trabalho gráfico apresentado, sem dúvidas uma verdadeira obra de arte sério, sem sacanagem, ou seria com? Agora não sei mais, embolou aqui que inclusive rendeu publicações desta obra em alguns países da Europa e nos Estados Unidos. Nas palavras dela, “sacanagem vende, gente. Podem investir em sacanagem no Brasil que dá certo” rendendo muitos risos e descontração (melhor definição, sério) durante sua troca de experiências com o público presente no SINAV. Outra dica de ouro é se empenhar em utilizar eventos para venda de trabalhos artísticos. Não tem um? Promova o seu, claro, em parceria com outras pessoas cujo público alvo possa se interessar no seu tema, inserindo estúdios de tatuagem, food trucks, ONG’s, livrarias, papelarias, sex shop, não pera, ele não, mas se bem que tenho aquele projeto hentai enfim, o que a sua criatividade e carisma podem proporcionar.

Olha só que dahora essa bagunça toda do ilustrador Flavio Zerloti, feito para o"Suruba para colorir"

As dicas foram incríveis e muito bem explicadas, cada um possui seu próprio estilo e um mercado direcionado a ele, adquirido através de muito esforço e trabalho, além de aprendizado contínuo. É gratificante receber toda essa informação e ver como a humildade de cada um em repassar esse conhecimento faz surgir em nós uma motivação maior. Sinceramente espero que o evento cresça á cada ano e ganhe ainda mais qualidade, pois certamente algo que os capixabas precisam é de eventos bem estruturados para o mercado independente de quadrinhos e ilustração, uma ferida difícil de cicatrizar em uma população carente do mais básico sistema educacional, quem dirá a cultura geek. 

Não esqueça de compartilhar esta matéria nas redes sociais e comenta aqui o que achou se foi ao evento, belê?


Vista bacanuda do centro de Vitória a vista, not me uahsuah

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segunda-feira, 26 de março de 2018

Dica de Quadrinista Nacional #02 - Thiago Egg

Olá! Aqui quem digita é Andressa Gohan e na dica de quadrinista nacional deste mês falo do digníssimo Thiago Egg, colega do Acre do sudeste, terra de ninguém, povos excluídos sem evento de quadrinhos Espírito Santo, dono de um traço único e muito fofo, foda, dahora de muita personalidade, sem contar nas paletas de cores memoráveis. 

Pilotar pelado, quem nunca?
A linguagem de quadrinhos apresentada é muito bem elaborada e a atenção aos mínimos detalhes que compõem a cena, até porque muitas das histórias são mudas adorommm enfim, um artista que vale muito a pena acompanhar. Conheci o trabalho do Thiago através da indicação de uma amiga, que citou o projeto Amahoy quando estava em financiamento no sistema Flex da plataforma Catarse que já tenho e já quero a continuação, tô na fila e adorei, tudo em um material de ótima qualidade e uma historinha muito cativante. O material disponível para leitura online de grátis seus mão de vaca não chora encontra-se no Tapastic como “O farol”, “Nubi”, “Carudo” tá bom gente chega tô com vergonha aqui porque não produzo nem metade de tudo isso nessa vida e uma parte de “Amahoy” a continuação tem que comprar a HQ seus puto. Em outra oportunidade conheci pessoalmente no Sinav e tietei mermo, mas não adiantou nada porque quem ganhou o sorteio do print foi a Cris aaaaah pude confirmar que a simpatia dos personagens é estendida ao ilustrador.

Cris e a felicidade de ganhar um print no sorteio

Este bacanudo desenhista abandonou alguns minutos de sua vida de luxo em uma cobertura duplex de Jardim da Penha entendedores entenderão para responder ás perguntas constrangedoras desta que vos digita e compartilhou a experiência de participar em eventos, contou sobre a carreira e muito mais, confiram aí:

1 - Me conta um pouco sobre seu trabalho como ilustrador, como tudo começou?
Eu desenho desde pequeno, e nunca parei de desenhar. Não lembro bem onde começou, lembro que quando eu tinha uns 08 ou 09 anos fazia uns quadrinhos em cadernos da escola e distribuía para a sala toda ler, tinha até um sistema de controle pra saber com quem estava os cadernos na semana, quando me devolviam os cadernos, os colegas anotavam ideias nas paginas, ou participavam na continuação das historias. Eram sempre com temas bem da idade mesmo, muita sacanagem, palavrões e desenhos copiados do que eu andava lendo, geralmente Ziraldo, gibis da Disney, muitas tiras de jornal, coisas do Angeli, Glauco, Jaguar, Adão Iturrusgarai, Calvin e Haroldo, Recruta zero e até as cobrinhas do Millôr, que eu não entendia nada mas adorava.
Sou natural de São Paulo, e trabalho desde os 14 anos, comecei como office boy de um escritório de despachante, rodando toda a grande São Paulo, e minha formação de desenho começou nos sebos e bancas do centro, garimpando gibis velhos e baratos com o troco que sobrava, depois fiz muita coisa, estive na primeira turma do curso de histórias em quadrinhos da Fábrica de Quadrinhos, lá pelo final dos anos 90, trabalhei como desenhista de brinquedos e produtos de madeira na Suiça, estudei produção gráfica e fui trabalhar como Designer Gráfico em distribuidora de filmes (já fiz capas de DVDs pra Jaspion, He-man, trabalhei com a saga crepúsculo e mais um monte de coisas) Nunca vivi de desenhar, na verdade sempre foi minha "segunda profissão". Hoje vivo em Vitória e trabalho como diretor de arte em agencia de publicidade, mas continuo fazendo meus trabalhos de ilustração como freelancer e criando meus projetos pessoais de quadrinhos e ilustração, desenhar ainda não é minha principal profissão, mas quem sabe um dia.

2 - Seu traço é fantástico, um estilo que já bato o olho e rola uma identificação imediata. Foi muito difícil chegar até ele?
Nunca é fácil, acho que ainda tenho muito pra estudar e melhorar, meio óbvio falar isso, mas é a real. Tem vezes que acho que ficou foda demais um desenho que fiz, mas passam alguns dias e quando olho de novo pra ele acho uma bosta. Acredito que isso é natural pra todo mundo, em algum momento a gente acaba chegando em um ponto que fica mais equilibrada essa sensação de gostar e não gostar do que faz e fica tudo mais confortável pra podermos nos soltar, e divertido de fazer. No geral desenhar me diverte muito, e sou muito influenciado pelas coisas que costumo consumir, como todo mundo acredito que seja, de desenhos animados a filmes, Instagram, quadrinhos e tudo mais. Aí vou fazendo coisas que gostaria de ver por ai. Sempre rola muito aquele papo de que é um traço meio infantil, meio indefinido, muito simples as vezes, é bem por ai que quero ir mesmo.

Amahoy e a fofura level hard
3 - Acompanhei o financiamento coletivo no Catarse de "Amahoy", pode nos contar um pouco como foi essa experiência e a reação do público, especialmente na CCXP2017?
Foi uma doideira, sério, é algo que eu não imaginava mesmo onde estava me metendo. O tempo foi matador e é algo que não recomendo que seja feito sozinho.
Sempre quis muito publicar uma HQ minha, desde que comecei a desenhar, mas sabe como é, trabalhar pra pagar as contas sempre foi a maior prioridade e toma a maior parte do tempo. Não sei bem como consegui tempo pra começar a fazer esse gibi, mas saiu! não é nem de longe o que imaginei como uma primeira publicação. A Reação da galera que acompanhava conforme eu produzia e publicava online, a empolgação de alguns amigos e a felicidade de ser selecionado para participar da CCXP, só incentivou mais ainda pra que acontecesse a versão impressa. E estamos, com certeza, no melhor momento para isso, nunca vimos o mercado de publicações independentes tão aquecido por aqui. O Catarse é uma das principais ferramentas pra quem quer publicar hoje em dia. E mesmo a minha campanha não chegando nos 100% da meta o livro saiu (consegui 70%), foi um sufoco, achei que não ia rolar, mas fiquei muito feliz com o resultado no final. Não sou um cara conhecido e minha primeira publicação não é algo muito comum de se ver por ai, mas mesmo assim a aceitação esta sendo bem positiva. Tive um retorno super legal da galera da cena dos quadrinhos, gente que sempre admirei e não imaginava que poderiam um dia ler algo que eu fiz. Durante o lançamento na CCXP o publico que passou pela minha mesa foi muito legal, recebi muitos feedbacks ali mesmo, de gente que comprou no primeiro dia e veio nos seguintes me contar o que achou. Os apoiadores da campanha, alias, super compreensíveis com todas as dificuldade de produção e distribuição, também me respondem com suas criticas e elogios e isso só me incentiva a ir em frente e produzir mais, corrigindo os erros pelo caminho e me preparando para a conclusão dessa historia no volume dois.

4 - Quais são os maiores desafios de ser um quadrinista no Brasil? Você percebe uma melhoria no interesse do público com o passar dos anos?
Como já disse, acho que esse é o melhor momento para publicação de obras independentes no Brasil, e a melhor fase para os quadrinhos também, de qualquer gênero. Nos últimos anos só vimos essa cena crescer por aqui, com muitos títulos e autores surgirem. Sempre tivemos quadrinhos de qualidade sendo produzido no nosso país, grandes autores e obras, mas pouco conhecidos para o publico em geral, tirando Mauricio de Souza é claro, que é um capitulo a parte na nossa cultura. Mas isso esta mudando, ainda bem, mesmo ainda sofrendo com o estigma de ser uma arte menor, ou coisa de criança, as vezes até algo meio alternativo e restrita a um mercado pequeno de leitores, vejo um movimento grande das HQs se popularizando e sendo valorizadas. Claro que falta ainda muito incentivo e espaço para divulgação e estudo, mas a internet é um dos principais meio nesse momento, e esta ajudando bastante. Existem também essas feiras de publicações que estão criando um novo mercado, e claro, os eventos de cultura pop como a CCXP, e outros. O cinema e as séries com as obras baseadas em HQs ajudam muito também, mas ainda falta espaço. Aqui no ES, por exemplo, temos pouquíssimos lugares para isso, poucas ou quase nenhuma feira, e nos quase 6 anos que estou por aqui, vi poucas loja com espaço para esse publico e nenhuma livraria ou loja especializada em HQs. As coisas parecem demorar um pouco mais pra chegar aqui, mas com todo esse movimento rolando espero que logo possamos ver essa cena crescendo e se popularizando por aqui também, ainda precisamos trabalhar muito pra que isso aconteça.

5- quais são seus projetos em andamento e futuros? Teremos novidades?
Atualmente estou só pensando na continuação de Amahoy, espero poder terminar essa história ainda nesse ano, se possível para a CCXP (se eu for selecionado novamente, claro).


No fim de maio vou participar do FIQ em BH, e estou bem empolgado com isso. Tenho planos para continuar a publicar durante o ano mais histórias de outros títulos que tenho na internet como, "O Carudo", "Nubi" e "O Farol" e estou trabalhando, quando consigo, em histórias para um gibi de aventura sobre uma menina Druida. O tempo para produção é sempre o maior inimigo, mas não pretendo parar de produzir quadrinhos, mesmo que devagar vou continuar enquanto puder =)

Bora!!!!
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