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quinta-feira, 28 de abril de 2016

Armon Entrevista: Rafael Morato

Opa! Como cêis tão?

Yoo!
Quanto tempo não nos vemos por aqui? Na verdade nem tanto, já que a gente posta semanalmente no site, mas o Armon Entrevista não dá as caras por aqui desde agosto do ano passado! A última entrevista foi com a Lígia Zanella e naquela ocasião tínhamos prometido trazer entrevistas com maior frequência, o que acabou não ocorrendo por inúmeros fatores de falta de tempo, mas dessa vez sim! Vamos tentar retomar de vez o quadro! Já temos umas 3 ou 4 entrevistas engatilhadas e o pioneiro nessa volta é o nosso parceiro, o incrível Rafael Morato!

Figurando como um dos quadrinistas mais populares da antiga UPMangá e hoje um dos mais populares no Smocci, assim como nos sites de leitura online e grupo de quadrinistas independentes, Rafael Morato nos leva a mundos épicos e transcendentes em cada uma de suas histórias, principalmente em sua obra-prima, Virgin Valkyrie! Vamos conhecer um pouco mais desse super artista independente e saber qual é o segredo da sua popularidade! Partiu?


***

Estúdio Armon: Primeiramente obrigado pela presença no retorno do Armo Entrevista. Nós sempre começamos perguntando qual foi o primeiro contato com os quadrinhos. Como foi o seu?
Rafael Morato: Meu primeiro contato foi com Turma da Mônica de Maurício de Souza, eram vendidos de baixo custo e acessível. Depois conheci Homem-Aranha, mas o que me empolgou mesmo foi Neon Genesis Evangelion que na época eu só tinha o volume três e mesmo assim me impressionou. Anos mais tarde eu completei a coleção do NGE.


Armon: De onde surgiu a inspiração para começar a fazer suas próprias histórias?
Rafael: Acho que por causa dos RPGs, são fascinantes! Muito de minhas histórias vem de games desse gênero.

Armon: Como faz para conciliar a vida pessoal e profissional juntamente com os quadrinhos? Trabalha só com ilustração ou tem algum outro serviço?
Rafel: Eu tenho outro serviço. Sou profissional nessa área há muito tempo e estou realizado onde eu cheguei. Desenho só por hobbie mesmo, é como forma de quebrar a rotina.

Armon: Acha que um dia, quadrinista como nós, poderemos viver fazendo o que amamos e receber por isso? Como vê o mercado nacional de quadrinhos?
Rafael: Existe uma grande exigência de reconhecimento circulando de fora do underground no Brasil. Poucos conseguem publicar de forma tradicional seus quadrinhos em editoras e a maioria publica de forma on-line e pior, sem remuneração. Aos poucos as editoras estão olhando para nossos HQs, mas o mercado externo continua sendo a prioridade.


Armon: Sua principal obra é Virgin Valkyrie, que está disponível para leitura online. Antes de falarmos dele, já fez algum outro trabalho? Quais?
Rafael: Fiz alguns amadores, porém não publicados. Sempre fiz HQs como forma de descontração mesmo, sem objetivos. Eis algumas obras:
Fallen Angel;
Wizard;
Daemon;
Lucy (A melhor obra que fiz na vida).

Armon: Nos conte do que se trata Virgin Valkyrie e de onde surgiu a ideia para a criação dessa história.
Rafael: Virgin Valkyrie é uma narrativa das memórias de Lucélia quando ela era uma valquíria no seu passado. Ela narra justamente eventos que mudaram sua vida na qual sua caçada de possessos fora interrompida por inimigos, que ela não tinha apoio de colegas valquíras e a corrupção da igreja conspirando contra ela. Eu tinha essa plataforma em mente, contudo não tinha ambiente adequado. Pensei, a princípio, fazer uma história de fantasia futurística (Parecido com as séries de Final Fantasy atuais). Depois que Joguei Valkyrie Profile me interessei por Terra Média e mitologia nórdica. Construí o enredo em cima dos estudos e conhecimentos sobre essa mitologia.


Armon: Há um tempo, você fez uma versão impressa compilando alguns capítulos de sua série e até comentamos sobre ele no nosso canal. Como foi a experiência de ter seu trabalho em mãos? Deu muito trabalho?
Rafael: Segurá-los em mãos me deixou feliz pra caralho. Não imaginei que um dia faria isso. Foi interessante todo o processo desde os orçamentos até o recolhimento do material. Tive que pesquisar muito, tipo de papel, tamanho, gramatura, modelos de capa. Os preços foram de lascar, porque onde moro os impostos são altos. Fiquei chateado por ter que vender meus HSs com preço acima de até dos HQs vendido por grandes editoras. Apesar ser impresso o HQ é amador ainda.

Armon: Como é o processo de produção das páginas de seus quadrinhos?
Rafael: O roteiro eu penso nos pequenos intervalos da vida, como indo ao trabalho ou no banho. Faço parte da arte desde rascunho até o pré-finalizado num papel. Depois digitalizo e complemento com efeitos e retículas no Photoshop.

Armon: Costuma frequentar feiras de fanzines e conhecer outros artistas pessoalmente? Conte-nos quais são suas experiências nesse quesito.
Rafael: Não muito porque no DF não vi ainda. Sei que tem, mas é pouco divulgado. Tive o prazer de conhecer pessoalmente o autor de Utopian (OWL, na qual entrevistamos há um tempo e você pode ler clicando aqui) na qual somos amigos. Também conheci o Daniel Barbosa, autor de Miguel.


Armon: Recomende alguns artistas nacionais que você goste de acompanhar.
Rafael: Se prepara! A lista é grande e peço desculpas os nomes que faltarem aqui.
Waldenis Lopes, Aline Gonçalves, Pedro Papa, Maicon Kener, Danielle Henke, Fábio Dalphorno, Gil Henrique, Milena Maria, Caio Gomides, Alexis Portugal, Daniel Barbosa, Gabriel Herison, Kathy Christ, Claudio Kun, Osmar de Carvalho, Erivaldo Fernandes, Isabela Flores, Kari Esteves, Iago Carlos, Fabiano Santos, entre muitos que não caberão aqui na lista.

Armon: Obrigado por citar artistas do nosso estúdio ali em cima! (Risos) Agora gostaríamos de saber quais são os artistas e obras que mais serviram de referência para você fazer quadrinhos. O que te inspira? O que você lê?
Rafael: Yoshiyuki Sadamoto de Neon Genesis, Evangelion, Kentaro Miura de Berserk, Norihiro Yagi de Claymore. Os traços manuais deles (Embora que, efeitos computadorizados são visto em alguns) me inspiram. Eu leio diversos HQs, mas esses que citei são que me inspiram.

Armon: Nós estamos aguardando o volume 2 de Virgin Valkyrie mas enquanto isso, nos conte um pouco dos seus planos para o futuro. Tem algum plano secreto que pode revelar com exclusividade ao estúdio? (Risos)
Rafael: Huhuahua! Eu tomo cuidado para não revelar segredos, são tudo bem arquitetados que um vazamento perde a graça na estória. Posso dizer que vão se surpreender com os Possessos. Simpatizar com a Vilã (ou odiar de vez) e shippar os protagonistas.


Armon: Se alguém quiser adquirir sua obra impressa, ainda tem exemplares à venda? Como fazer para comprar e como acompanhar seu trabalho? Deixe os links para a galera!
Rafael: Tenho poucos, ainda a venda. Basta fazer o pedido por e-mail hqvirginvalkyrie@gmail.com e enviarei o link do PagSeguro com o valor.
Enviarei assim que eu receber confiramção de pagamento.
Hoje publico on-line nas páginas:
http://heroisnopapel.com/virginvalkyrie/
https://www.smocci.com/obra.php?id_obra=1695
Recentemente abri uma fanpage no face 
https://www.facebook.com/HQ-Virgin-Valkyrie-1597421263911440/
E tenho um grupo privado no face:
https://www.facebook.com/groups/694697740596596/

Armon: Para finalizar, aquela velha e boa mensagem para quem quer lutar e ser quadrinista como nós.
Rafael: Sempre falo isso: Se não der o primeiro passo, nenhuma oportunidade virá.


***

Então é isso aí, galera! Esse foi o Rafael Morato, nosso grande parceiro de jornada por entre as entranhas do mercado independente de quadrinhos! Curtiram?
Gostaríamos de agradecer ao Rafael por estar presente nessa entrevista e desejamos muito sucesso para esse trabalho que é feito com muito amor e carinho, desde o lápis até o produto final e se eu fosse você, não deixava passar essa oportunidade de adquirir um impresso do Virgin Valkyrie pois faltam poucos para esgotar, hein!
Até a próxima!


sábado, 22 de agosto de 2015

Armon Entrevista: Lígia Zanella


E aí, pessoal!

Olha quem está de volta! Nossa, faziam meses que não aparecia um Armon Entrevista por aqui, não é mesmo? Sentiram saudades? Eu sei que sentiram, afinal essa era uma postagem que apresenta os segredos de diversos quadrinistas e meios do ramo. O Armon Entrevista sempre foi uma postagem bem bacana de fazer mas com a reformulação do estúdio, ela acabou ficando de lado. Agora estamos com força total e provavelmente teremos entrevistas frequentes. Mês passado estivemos no evento Anime Friends em São Paulo e a conhecemos a nossa entrevistada por lá, ela se chama Lígia Zanella!

 Dona de um traço belíssimo, Lígia começou sua vida nos quadrinhos publicando sua obra chamada Go!Go!Go! Felicity para leitura online na internet em 2009 e em 2015 retornou em grande estilo com a conclusão de seu antigo projeto e o começo de Calendar, obra que divulgou no Anime Friends e que tem causado inúmeros comentários positivos pela internet afora. Trabalhando num jornal durante o dia e salvando o mundo durante a noit... Não, não... Fazendo quadrinhos como hobby, Lígia não é uma super heroína como Clark Kent, mas sim, uma super ilustradora que só faz evoluir a cada dia! Vamos conhecer um pouco mais dessa figura carismática por traz do lápis!


Estúdio Armon: Primeiramente, é um prazer ter você como nossa entrevistada. Comece nos contando qual foi o seu primeiro contato com o mundo dos quadrinhos.
Lígia Zanella: O prazer é todo meu. J Bem, começou aos 11 anos, quando ganhei um volume de Sakura Card Captors. Antes eu já lia alguns quadrinhos, mas meu envolvimento real aconteceu nesse momento, eu gostei tanto que passei a buscar mais e mais títulos e a me envolver com esse mundo de verdade.

Armon: E como surgiu a vontade de fazer os seus próprios? Como foi o seu começo como artista?
Lígia: Dos 11 anos pra cima o interesse de contar minhas histórias foi se desenvolvendo. Eu sou tímida e encontrei nesse meio uma forma de me expressar bem eficiente, como artista creio que isso me incentivou muito. Eu nunca fui de copiar personagens existentes, mas sempre tive a iniciativa de criar os meus próprios personagens desde que me lembro, por causa disso tenho títulos iniciados aos montes em casa, guardados em uma caixa. Eu fazia as páginas a mão, em folhas dobradas ao meio, de maneira bem arcaica, mas sempre escrevendo minhas histórias.

Armon: Qual o segredo para manter uma série de quadrinhos de maneira independente?
Lígia: Responsabilidade, doutrina e amor. Ser responsável com seus leitores e trabalho, saber gerenciar a vida e projetos, e amar isso, porque quem ama faz com carinho e qualidade e jamais desiste, independente das circunstâncias.

Armon: Você esteve presente no Beco dos Artistas neste Anime Friends 2015, que foi onde nos conhecemos (Risos), como foi essa experiência?
Lígia: Para mim foi muito proveitosa. Eu conheci muitas pessoas, vi o que eles precisavam, aprendi um pouco sobre o mercado independente e até recebi comentários do pessoal que leu minha obra. O meu interesse era principalmente entender como é ser um autor independente em um evento grande, eu sei que tenho muito a aprender ainda, mas já cresci bastante com essa experiência.

Armon: Você apresentou sua obra chamada Calendar. Nos conte um pouco sobre ela.
Lígia: O gênero dessa obra é Josei. É um romance voltado para mulheres mais maduras, com um romance é mais sério e possui questionamentos mais profundos. Conta a história de Suzan, uma moça trabalhadora e esforçada que tem a vida muito voltada a ganhar dinheiro, um dia ela acaba conhecendo um rapaz que mostra que há mais na vida que isso e aí as coisas começam a mudar.

Armon: É verdade que Calendar foi a primeira história que você fez impressa? Por que escolheu começar a fazer impressos?
Lígia: Exatamente, é minha primeira obra impressa. Na verdade desde 2009, que foi quando eu comecei a publicar minhas obras na internet, eu venho pensando em impressos, mas nunca tive coragem por causa da qualidade da minha arte. Eu me esforcei bastante e passei vários anos apenas publicando online e desenvolvendo meu traço até um ponto em que eu aceitasse minha arte como vendável, só então eu resolvi ousar mais um pouco. Creio que o sonho de todo quadrinista é ter sua obra impressa, eu sou apenas mais uma no grupo.

Armon: Em sua opinião, quais as principais diferenças e importâncias de se apresentar quadrinhos online e impresso aos leitores?
Lígia: No online existe a facilidade da divulgação, é possível que todos vejam com rapidez e comentem, e é melhor para testar uma obra antes de gastar horrores com ela também. No impresso creio que o principal é o toque, a proximidade, o cuidado, tudo foi planejado pois, o impresso torna o produto definitivo, no meu ponto de vista.

Armon: Nos conte um pouco de como é o seu processo de criação, desde as ideias até o material pronto.
Lígia: Eu desenvolvo a ideia do roteiro, penso em um problema e uma solução, então desenvolvo os personagens sobre essa vista. Muitas vezes a ideia do roteiro vem de uma simples frase ou de alguma situação, dai desenvolvo toda a história em cima disso. Então penso em quais personalidades melhor se adequam a essa determinada situação, desenvolvo a imagem deles todo em cima disso, acrescendo o mundo em que eles vivem, começo a desenhar e a esboçar situações, dai faço o rascunho dos capítulos, depois finalizo com a arte final. Os coadjuvantes normalmente vão aparecendo conforme a necessidade. Ainda tenho muito a aprender sobre desenvolvimento de roteiro, mas até agora eu me esforço dessa maneira.

Armon: Além de Calendar, quais são seus outros trabalhos? Fale um pouquinho sobre eles.
Lígia: Go!Go!Go!Felicity é o meu primeiro trabalho feito para web, e foi lançado em 2009, com ela é possível ver a evolução do meu traço e nesse ano será encerrado. Se trata da história de Angelica, uma menina pobre que tem que mudar de cidade para ir estudar em uma prestigiosa escola onde seu tio é diretor. É uma comédia romântica.
Tulipa, uma personagem criada para fazer tirinhas, normalmente escrevo coisas que me vem a mente, tudo gira em torno de expressão nas minhas obras, Tulipa não é diferente.
O quarto, é uma obra feita como fã, foi uma adaptação que fiz do capítulo de um livro e se trata do sonho de um garoto que um dia se vê em uma sala onde as paredes são forradas de gavetas que guardam toda a vida que ele teve até ali.

Armon: Quais são os artistas que te serviram e servem de referência?
Lígia: Clamp, Kaoru Mori, Eichiiro Oda

Armon: Sobre quadrinhos brasileiros, você costuma ler as obras de outros artistas? O que pode nos recomendar que já leu e curtiu?
Lígia: Spy Project, Helena, Holy Avenger, Pirates!, Ima sempre em frente, Hot and cold, Sigma Pi, Sky of Bolt, e por aí vai

Armon: Caso alguém queira adquirir Calendar, o que precisa fazer?
Lígia: Só me enviar um e-mail solicitando, no meu site tem os valores para averiguação: :)
ligia.zanella@gmail.com

Armon: E sobre seus projetos e planos para o futuro, tem algo que possa nos contar?
Lígia: Tenho um novo título que está em desenvolvimento para substituir Go!Go!Go! Felicity, mas ainda não posso dar muita informação. Além disso, os planos são concluir Calendar e fechar o box impresso pra quem quiser a coleção completa. Também participar de mais eventos e concursos também.

Armon: Para finalizar, várias pessoas que querem ser quadrinistas podem se espelhar em você após ler essa entrevista, sabia? Deixe uma mensagem para eles!

Lígia: Para ser quadrinista você precisa ter determinação, precisa ler muito e não só quadrinhos, desenhar todos os dias, principalmente aquilo que você não curte desenhar. Tem que observar os outros a sua volta e ser receptivo a criticas. Precisa dar seu sangue. Amar isso. Vamos nos empenhar, pra trazer ao Brasil algo de qualidade. O melhor de nós. Bora surpreendê-los!! :)

***

É isso aí, pessoal! E como prometido, a imagem ao lado COM EXCLUSIVIDADE é a capa do novo capítulo de Calendar que sairá nesta semana! O segundo capítulo está chegando e a história vai ficando mais envolvente! Curtiram? Não deixem de ler também, hein! O capítulo de número 02 sairá amanhã!

Então galera, esperamos que tenham curtido a entrevista e tentaremos de agora em diante, manter uma frequencia boa novamente do Armon Entrevista. Sempre foi uma postagem bem querida dos nossos leitores por conhecerem novos trabalhos de outros artistas e agora estamos totalmente estabilizados, então queremos ter mais entrevistados.

Não deixem de comentar e se quiserem dar sugestões de possíveis entrevistados, tentaremos fazer o possível para trazer quem vocês pedirem, na medida do possível, é claro.
Um forte abraço e até a próxima!

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Armon Entrevista: Gorick

Opa, beleza?

Uau, já estamos em fevereiro! Esse ano já começou em velocidade máxima e está passando muito rápido! A nossa primeira história em quadrinhos do ano já ficou pronta, a segunda também está bem encaminhada. Já conseguimos um novo integrante e nossa média de acessos aumentou um pouco. Isso nos deixa muito contentes! Bom, vamos à segunda entrevista desse ano que é com um grande cara conhecido como Gorick!

Não conhece? Conhece o site UPMangá, uma grande comunidade de desenhistas que vem crescendo nos últimos tempos? Um site onde desenhistas do Brasil todo podem postar suas obras para serem lidas por qualquer um, e o Gorick é um dos administradores que fazem essa mágica acontecer! Nós concedemos um bate papo ao pessoal do UPMangá por esses dias e agora eles que figuram no nosso site! Além de administrador do site, o Gorick também é roteirista e escritor de suas próprias obras! Sem mais delongas, vamos à entrevista?

Armon Entrevista: Olá, Gorick! É um prazer ter um representante da UPMangá aqui conosco hoje! Vamos começar revelando qual foi o seu primeiro contato com o mundo dos quadrinhos?
Gorick: Como a maioria dos brasileiros, acredito, nunca tive muito contato na infância além dos animes que chamávamos de desenhos. Mas se fosse citar, falaria de quadrinhos Disney como Tio Patinhas e também nossa premiada Turma da Mônica.

Armon: Como surgiu a UPMangá?
Gorick: Surgiu de um autor que queria sua obra publicada na internet, mas não queria apenas um blog, ele queria algo mais. Wilson Barbosa é o idealizador e diretor geral do site, meu parceiro e amigo. Podem atribuir a ele a existência do site. Para saber mais da nossa história clique no botão “quem somos” da home do site.

Armon: Você também faz quadrinhos? Caso faça, nos conte um pouco sobre.
Gorick: Eu não sei desenhar NADA, mas eu escrevo. Sou autor de uma obra (sem desenhos) no site UPManga, mas o que eu faço mesmo é um livro que estou desenvolvendo com elementos de fantasia e ficção além de um drama interno, quando estiver pronto ou publicado certamente divulgarei.

Armon: Qual é a sua função na UPMangá?
Gorick: Eu ajudo em tudo menos na programação, desde o marketing, planejamento, divulgação, atendimento, vídeos e etc.

Armon: Como é administrar um site onde artistas estão diariamente colocando suas preciosas obras?
Gorick: Compensador. Vale muito a pena.

Armon: Você acha que o quadrinho online vai substituir o quadrinho impresso?
Gorick: Só quando o tablet substituir o papel e todo mundo tiver o que vai demorar, na internet as pessoas não querem pagar por nada, e elas estão parcialmente certas, a internet é um meio democrático, mas pra manter autores é importante a impressão por isso pretendemos fazer algo a respeito disso em breve.

Armon: Para artistas independentes, a internet é um meio gigante de divulgação, mas alguns ainda partem para o impresso independente. Qual sua opinião sobre isso?
Gorick: Eu valorizo os dois, a internet é uma escola pra você aprender e testar a reação do público a seu talento, mas não é determinante se você se sairá bem numa editora, o impresso o retorno é imediato, mas também é limitado, depende do que cada um quer, mas eu recomendo começarem pela internet e evoluir para o papel ou ter outra forma de monetização que não seja vender o PDF.


Armon: Recentemente a UPMangá vem se levantando como uma grande comunidade de artistas. Tem amizade com muitos deles através do site?
Gorick: Sim, essa parte é uma das melhores, fiz bons amigos na UPManga, tão bons ou melhores que os da vida offline.

Armon: Você lê tudo que é postado? Quais são as suas obras favoritas?
Gorick: Não vou mentir dizendo que dá pra ler tudo, tem muita coisa postada lá. Eu leio algumas, e acompanho as que me interessam. O melhor pra mim até hoje foi “Interferência Disfuncional”, do qual fiz até um MMV(Manga Music Video).

Armon: Fora os nacionais, quais mangás você lê e quais são seus favoritos?
Gorick: Aku no Hana, Gantz e alguns outros, eu não leio tanto mangá por que não tenho tempo, entre ler livros, escrever o meu livro, trampar na UPManga, trampar no meu trabalho normal, natação e etc. Mas pretendo ler The Walking Dead no futuro.

Armon: Quais são os planos da UPMangá para o futuro?
Gorick: Tem as serializações que “NÃO ESQUECEMOS”, iremos fazer algo bem legal no formato mais ou menos japonês sem, no entanto cobrar demais do autor. Tem também projetos de uma revista nossa possível, mas ainda está engavetado, nosso upcast crescerá firme e forte e MMV’s, headshots, novos quadros e eventos irão acontecer em 2015.

Armon: Deixe uma mensagem para a galera que quer fazer quadrinhos, mas não encontra a inspiração necessária.
Gorick: Agradecemos nossos apoiadores, pedimos que se engajem em nossas propostas, que participem e que usem nossa rede social tanto como nosso blog e todas as funcionalidades do site, e que acreditem em nós assim como nós fazemos isso por que acreditamos em vocês. Ganbatte.

***

Bom, essa foi a nossa entrevista de fevereiro!
E se você ainda não conhece a UPMangá, corre lá porque tem muita coisa boa te esperando! É só clicar no link abaixo! Até a próxima!

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Armon Entrevista: Cassius Medauar

Fala galera!

O ano de 2015 começou com tudo para o Estúdio Armon com vários projetos em andamento e muita coisa boa reservada para esse ano! Nós acabamos de voltar de férias e colocaremos a mão na massa novamente. Para começar o ano com o pé direito na chave de ouro, trazemos um entrevistado que há meses eu queria trazer. Ele é o cara por trás da editora de mais destaque entre as publicações de mangás no Brasil, ele é o eterno editor do dragão do mangá Dragon Ball, ele diz que Sailor Moon é melhor que Naruto, ele é Cassius Medauar!

Ele já passou pelas editoras Abril e Conrad onde começou sua fama entre os colecionadores de mangás que sempre viam comentários extrovertidos no editorial. Quando assumiu a Editora JBC, fez dela a editora mais fluente quando o assunto é mangás, revolucionando seu conteúdo e arriscando trazer títulos que ninguém tinha coragem, dando espaço para o artista brasileiro e transformando sua passagem por lá em um legado. Vamos conhecer um pouco de Cassius Medauar!

Estúdio Armon: Antes de começar, gostaria de dizer que é uma honra imensa ter o eterno editor do dragão aqui no nosso Estúdio. Acompanhamos seu trabalho como editor há anos, mas sempre ficamos curiosos para saber como começou sua carreira nesse ramo. Como foi?
Cassius Medauar: Bom, fiz jornalismo na Casper Libero e, um dia, respondi a um anuncio de vaga na Abril Jovem para atendimento ao leitor, passei e comecei. Quatro anos depois, um amigo dos tempos da Abril foi chamado pela Conrad, não aceitou e me indicou, e assim entrei na Conrad em 2000.

Armon: Acompanhando suas entrevistas e vídeos, claramente percebemos que além de trabalhar com quadrinhos, você é realmente apaixonado por essa arte. Qual foi seu primeiro contato com quadrinhos? Como essa paixão despertou?
Cassius: Bom, sou leitor e colecionador desde pequeno, minha mãe sempre me incentivou a ler desde pequeno e eu lia Turma da Monica, Super Heróis, Asterix e tudo o que aparecia na frente. E também adorava Ultraman, Ultraseven, Phantomas, a Princesa e o Cavaleiro. Hoje em dia tenho mais de 20 mil revistas na minha coleção.

Armon: Como surgiu a oportunidade de trabalhar na Editora JBC? Como é a sua rotina de trabalho?
Cassius: Eu estava trabalhando apenas como tradutor de livros quando o Del Greco decidiu sair da JBC. Eles então vieram falar comigo, fizeram uma proposta, negociamos por um tempo e deu tudo certo.
Ah, trabalhamos horários normais aqui, 9 as 19 h, e cada dia tem uma coisa, aprovar capas, revisar e preparar os textos, fazer matérias pra Henshin, divulgar nossas coisas e muito mais. Gerencio toda a parte editorial da Editora.


Armon: Como gerente de conteúdo, você é um dos responsáveis por escolher os títulos que a editora publicará. Pode nos contar como é feita essa escolha de novas publicações?
Cassius: Muitas coisas influenciam. Anotamos tudo que nos é sugerido, tabulamos, todo mundo que trabalha aqui curte mangás e faz sua listinha. Escolhemos pela qualidade da historia e do desenho, se está/fez sucesso no Japão, se tem animê, quantos volumes tem, tudo isso conta na nossa decisão.

Armon: Falando em nível mundial, qual desenhista e qual obra em quadrinhos você acha que são as melhores?
Cassius: Putz, muito difícil dizer. Tem muita coisa boa e eu adoro quadrinhos de todas as partes do mundo. Alguns dos meus preferidos são Cavaleiro das Trevas, Planetary e Corto Maltese, por exemplo, mas também adoro One Piece e Magi.

Armon: Muitos desenhistas independentes alegam que o mercado de trabalho nacional de quadrinhos é um caminho tortuoso. Você compartilha essa opinião? Por que acha que o leitor brasileiro é tão fechado ao conteúdo nacional?
Cassius: Acho que hoje em dia, quem quer faz quadrinhos. As oportunidades nunca foram tão grandes. Muitas editoras publicam artistas nacionais, a JBC tem o seu concurso, o BMA, existe a internet, o Catarse e outros sites de financiamento coletivo, muita gente publica independente. Basta ir atrás e fazer. Mas claro que se a pessoa ficar comparando com o Japão vai achar a coisa tortuosa. Nunca seremos iguais a eles, pois nossos países são muito diferentes.

Armon: Você e toda a Editora JBC estão trabalhando duro para alavancar o cenário de quadrinhos e mangás no Brasil. Não é a toa que desde que você assumiu a gerência de conteúdo, a JBC se tornou autoridade máxima nesse ramo, inclusive para artistas nacionais. Como surgiu a ideia para a realização do Brazil Mangá Awards e como foi acompanhar as obras recebidas?
Cassius: Essa ideia já existia na JBC, mas acabou sendo lançado o ano passado e posto em prática este ano porque achamos que o mercado estava maduro o suficiente para um concurso desse tipo, e para comemorar os 18 anos da JBC.
Foi bem legal ver quem estava mandando e querendo participar, vimos de tudo um pouco por aqui. Mas acho que este primeiro ano foi o mais “fácil” da pessoa ganhar, acredito que nos próximos a competição ficará muito mais acirrada.

Armon: Agora falando um pouco do Cassius Medauar. Além de quadrinhos, você também é muito fã de futebol. Qual time torce? Joga bem? Em qual posição? (Risos)
Cassius: Opa, eu adoro esportes em geral, inclusive gosto muito de surfar também. E sim, adoro jogar bola, jogo toda semana, sou goleiro, fui federado em futsal na adolescência e torço pro São Paulo.

Armon: Você acompanha algum mangá ou quadrinhos periodicamente? O que mais gosta de ler?
Cassius: Acompanho coisas pacas. Procuro saber de tudo que tá saindo e tento ler as melhores coisas. Leio tudo da JBC, claro, e também One Piece, Naruto e vários outros, leio muita coisa independente, adoro os títulos da Balão Editorial e da Zarabatana.

Armon: Quais são suas ambições pessoais e profissionais? Pode nos contar algum plano para o futuro da Editora JBC?
Cassius: Ah, bom, continuaremos a surpreender e a trazer coisas diferentes do que a galera está acostumada. Não posso falar muito mais do que isso.

Armon: Muito obrigado pela entrevista e se puder, deixe um breve recado para os amantes de quadrinhos e mangás que querem trabalhar nesse meio assim como você.
Cassius: Bom, agradeço pela entrevista. Meu recado é leia, leia muito e de tudo. Jornais, revistas, livros e todos os tipos de quadrinho. Estude muito, vá atrás de seus sonhos, mas tente também saber quais são suas limitações e onde você conseguirá se encaixar!

Armon: Foi uma honra ter você como nosso convidado. Obrigado pela entrevista! Sucesso!
Cassius: Valeu. Abraços a todos!!



***

Fiquei muito contente quando o Cassius aceitou o convite para a entrevista. Há tempos eu queria bater um papo com ele, afinal, acompanhamos o trabalho dele desde a época da Conrad e é sem dúvida uma referência para nós. 

Nós desejamos sucesso para a Editora JBC que cresce cada vez mais e está sempre surpreendendo como o Cassius disse ali em cima e também para o próprio, para que sua carreira seja cada vez mais vitoriosa e cheia de conquistas.

Um forte abraço e até a próxima!

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

Armon Entrevista: Wilson Kohama

Yay! Como vai, pessoal?

Chegamos ao último Armon Entrevista do ano e vamos fechar com chave de ouro! Aliás, como esse ano passou rápido, não acham? Num piscar de olhos chegamos em dezembro! O Estúdio completou 2 anos e nesse tempo entrevistamos muita gente boa! Muitos desenhistas que nos inspiraram a começar nossas histórias e esse mês temos um representante de uma das iniciativas que foram peça chave para o Estúdio Armon: Wilson Kohama, da Editora Crás.

A Crás Editora sempre fez vídeos no YouTube com o seu editor-chefe Thiago Spyked dando dicas sobre como fazer quadrinhos e começamos a fazer os nossos com o intuito de entrar nela. Mas acabamos tomando rumos diferentes e hoje é um prazer entrevistar o Wilson, autor de World Police, Anjos da Mata e Podium GP, três das obras de mais destaque da Crás. Vamos ler a entrevista?


Estúdio Armon: Antes de mais nada, eu gostaria de dizer que é um prazer finalmente entrevistar alguém da Editora Crás que eu tenho acompanhado desde os primórdios e que tem me ajudado tanto com vídeos e exemplos de como se produzir quadrinhos. Como é fazer parte dessa iniciativa?
Wilson Kohama: Primeiramente eu fico lisonjeado com essa entrevista. A Editora Crás é uma iniciativa que o Thiago Spyked teve e que teve eu, o Roberto e a Valéria como primeiros colaboradores. Mais Tarde chegou o Thales Gaspari, o Thiago Pedrosa e a Merodii. A princípio, serviu para viabilizar o nosso processo de produção, e também a participação em eventos, mas o objetivo nosso é maior que isso.

Armon: Qual o seu papel dentro da Crás? Tem liberdade total de criação?
Kohama: Nós, dentro da Crás, temos o papel principal de sermos autores de nossos projetos, e também ajudamos o Spyked em eventos de quadrinhos e animes, para vendermos os nossos quadrinhos e afins (produtos derivados dos quadrinhos). Como autores, temos liberdade de criação, apesar de o Thiago ter um papel de editor chefe, e cada obra passa por sua aprovação.

Armon: Sua principal obra é World Police até agora. Como teve a ideia para criá-la? Quais são seus outros trabalhos?
Kohama: World Police foi meu início na Crás, em 2007, mas já tinha sido criado em 2003, e só em 2005 decidi vender como fanzine no inicio. Tive a idéia de criar personagens que fugissem da idéia de que tudo tem que se passar no Japão ou Estados Unidos, e que se passasse aqui no Brasil, em São Paulo. Se observar bem, as localidades são muito fáceis de reconhecer, como o MASP, Estação da Luz... E os heróis são brasileiros.
Teve também o Anjos da Mata, one shot criado em 2009.
Atualmente trabalhei num novo projeto, o Podium GP...

Armon: Qual foi o processo de criação, desde a ideia até o gibi pronto?
Kohama: Bom, partindo da idéia principal, não tive muitos problemas em criar o roteiro, e também os layouts. O maior problema na primeira impressão foi a arte final, pois eu não tinha photoshop na época e retícula é algo que não é mais fabricado no Brasil há muito tempo. Então comprei algumas com diferentes texturas no curso de desenho e tirava Xerox pra garantir que sempre teria aquelas retículas... Mas depois com o photoshop ficou mais fácil...
As capas passaram por um processo de reformulação umas três vezes até chegar ao formato atual.

Armon: Como surgiu a vontade de criar suas próprias histórias?
Kohama: Bem, surgiu em meados de 1995 quando eu frequentava a ABRADEMI (Associação Brasileira de Mangá e Ilustrações), dali me familiarizei com a idéia de desenhar quadrinhos, com o concurso Mangacon. E também dali que comecei a freqüentar a Escola de Desenho Atelier.

Armon: E o seu primeiro contato com quadrinhos, como foi?
Kohama: O primeiro contato mesmo foi quando a Record exibia Speed Racer e na Manchete passava o Yamato (Patrulha Estelar), dali fui tomando gosto por desenhos japoneses. E com HQs americanas foi com os heróis da Marvel, Homem Aranha, Capitão América...

Armon: Recentemente você criou juntamente com o Maurício Moreira, a HQ Podium GP. Conte-nos um pouco sobre esse projeto.
Kohama: Esse eu fiz em parceria com outro desenhista, Maurício Moreira (que não está na Crás, apenas foi co-autor dessa obra). Nesse gibi eu quis fazer um de esporte, que praticamente não existe no Brasil, feito por brasileiros, seguindo a linha do Slam Dunk, mas com automobilismo como tema. Como eu sou grande fã de fórmula 1 e do Ayrton Senna, e o Maurício tem um baita conhecimento técnico de F1, pudemos fazer um bom roteiro. No começo pensávamos em fazer o gibi parcialmente colorido, como nos mangás japoneses, com algumas coloridas nas primeiras páginas e o resto preto e branco. Porém, o Thiago achou tão bom o resultado da coloração com as Copics (marcadores) que decidimos imprimir todo colorido. Foi trabalho triplicado!!! (Risos) E eu fiquei ajudando no roteiro e fiz toda a parte da arte final, enquanto o Mauricio vinha com os argumentos e também com o desenvolvimento do roteiro. A parte da edição ficou a cargo do Spyked e o pessoal da Crás.

Armon: Como é fazer um mangá automobilístico? Tiveram muitas dificuldades?
Kohama: Tivemos algumas dificuldades, pois não tínhamos muitas referencias em termos de quadrinhos, mas no fim das contas com a ajuda do Mauricio e incentivo dos colegas da Crás conseguimos fechar um bom roteiro.

Armon: Quais são suas maiores referências que inspiram seu trabalho?
Kohama: As maiores referências: Houjo Tsukasa (City Hunter), Takehiko Inoue (Slam Dunk e Vagabond), Tetsuo Hara (Hokuto no Ken), Will Eisner (Spirit), J. Scott Campbell (Danger Girl), Mike Deodato (Marvel) e claro, Mauricio de Souza, que qualquer desenhista nacional almeja chegar onde ele chegou.

Armon: Quais são os planos para o futuro? Pode nos adiantar alguma coisa?
Kohama: Temos vários projetos pela Crás que ainda são segredo... (Risos)

Armon: Quem quiser conhecer mais do seu trabalho, pode encontrá-lo onde? Deixe seus links de contato.
Site da Editora Crás: http://www.editoracras.com.br
E-mail para contato: beatspubli@hotmail.com


Armon: Para finalizar, quer deixar uma mensagem para os fãs do seu trabalho e da Crás que também sonham em seguir os quadrinhos como profissão?
Kohama: Tem uma frase do Senna que acho que sintetiza tudo o que tenho para passar aos fãs e que está no Podium GP inclusive...
“Seja quem você for, seja qualquer posição que você tiver na vida, do nível altíssimo ao mais baixo nível social, tenha sempre como meta muita força, muita determinação e faça tudo com muito amor e muita fé em Deus... Que um dia você chega lá, de alguma maneira você chega lá.”


***

Então é isso!
Curtiram a entrevista? O Wilson Kohama foi bem gentil com a gente e é um ótimo exemplo de artista que nunca desiste dos seus objetivos. Ficamos orgulhosos de esta ser a entrevista que fecha o ano de 2014 com chave de ouro e parabenizamos ele por todo o esforço. Também parabenizamos a Editora Crás por sempre surpreender o mercado de quadrinhos e movimentar tantos novos artistas com suas dicas e materiais.
Até a próxima!

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Armon Entrevista: Altair Messias


Fala galera!

Mais um mês que chega trazendo outro Armon Entrevista! Em breve essa seção estará completando 2 anos e já temos 20 entrevistados dentre os mais conhecidos desenhistas brasileiros e como não poderia deixar de ser, esse mês temos mais uma fera na seção: Altair Messias!

Nosso querido Altair surgiu no cenário nacional juntamente com a promissora revista Ação Magazine que trazia diversos autores de mangás brasileiros para o mercado. O rapaz foi audacioso a ponto de ilustrar uma história esportiva chamada Jairo, com o boxe como tema e conseguiu bastante destaque dentre as outras obras devido ao seu traço característico. Também é autor da história de piratas Peitarrubra que estava sendo publicada online mas infelizmente atualmente está em hiato. Sem mais enrolações, conheçam esse belíssimo trabalho.

Vamos ver a entrevista?

Estúdio Armon: Bem vindo ao Armon Entrevista, Altair! Já estava mais do que na hora de você figurar nessa seção, afinal o seu traço é animal! Considero você uma das grandes revelações do quadrinho nacional. Consegue sentir isso quando cada vez mais pessoas elogiam seu trabalho?
Altair Messias: YOo! Muito obrigado! Valeu pela oportunidade. De fato fico feliz com a recepção positiva, é muito bacana saber que existe uma galera acompanhando meu trabalho, acredito que é algo que motiva qualquer um que trabalhe na área.

Armon: O que são quadrinhos para você? Qual foi seu primeiro contato com esse mundo?
Altair: Quadrinhos para mim é uma arte de contar histórias (Obedecendo regras e técnicas), que  por meio de personagens e tramas cativa e emociona. Meu primeiro contato foi antes de aprender a ler (Devia ter uns cinco anos) e como a maioria dos brasileiros, foi com a Turma da Mônica, gostava de Disney e bastante do Pequeno Ninja também. Com o passar dos tempos, a lista aumentou e comecei a ler comics, sempre gostei mais da Marvel embora goste de alguns títulos da DC e não muito mais tarde, com a Conrad, comecei a ler mangá e a partir daí me aprofundar cada vez mais nesse estilo.

Armon: Como surgiu a vontade de fazer suas próprias histórias e como elas eram?
Altair: Lembro que fui uma criança meio desatenta que vivia no “mundo da lua”, com uns 11 anos passava horas criando personagens e histórias, que seguia a linha de herói que salva o mundo, mas na maioria das vezes ficavam muito ruins e eu acabava frustrado, o legal é que com o passar do tempo usava esse material como comparativo de coisas novas que ia fazendo, aliás, tenho esse material até hoje (Mania de não jogar nada fora XD).

Armon: Mais uma vez, eu gostaria de falar sobre o seu traço. Poucos artistas tem sua identidade no papel facilmente identificável, daqueles que você olha e logo sabe que aquela arte é de tal autor e Altair Messias é um deles. Como construir um traço forte como o seu? Surge naturalmente?
Altair: Tenho notado esse reconhecimento e me deixa surpreso em saber que é facilmente identificado. Na verdade, nunca pensei em construir um traço, me preocupava bastante em “não copiar” o traço de qualquer outro autor, o que acho besteira hoje em dia. Sempre haverá influências e quando você desencana dessas bobagens seu traço ganha personalidade, evolui e continua sempre em constante evolução.

Armon: Você fez parte da iniciativa Ação Magazine que surgiu há alguns anos. Era uma revista no mesmo molde da japonesa Shounen Jump que publicaria capítulos de mangás brasileiros, mas infelizmente acabou não tendo força o suficiente. Mesmo assim, seu trabalho ganhou muitos fãs e visibilidade com ela. Como surgiu essa oportunidade e quais frutos você colheu dela?
Altair: A oportunidade surgiu com o editor-chefe que já conhecia faz algum tempo, conversávamos frequentemente, foi então que ele me convidou para fazer parte do projeto e me colocou em contato com o roteiro que já existia, depois com alguns testes e ajustes, eu fui oficializado como desenhista da série. Foi uma chance única na minha vida, acredito que a maioria das pessoas passou a conhecer meu trabalho por meio de Jairo e da Ação.

Armon: Recentemente você começou uma nova história, postando páginas aos poucos no Facebook. Peitarrubra é uma história sobre piratas que é outro tema bem interessante. Fale-nos um pouco sobre esse projeto?
Altair: Peitarrubra é um projeto de 2008, que surgiu quando estava cursando mangá na Anima-academia de arte e fui incentivado a participar de um concurso internacional de mangá, sinceramente não esperava ganhar nada com ela. Ano passado voltei a pensar na série, numa intenção de querer contar o que aconteceu com o Peitarrubra e seu bando por meio de uma webcomic, onde ia postar uma página por semana, porém não consegui cumprir essa periodicidade por vários motivos e isso de certa forma me deixa decepcionado, pois tenho uma pilha de rascunhos esperando para serem finalizados e não consigo por falta de tempo.

Armon: Quais outros trabalhos você já realizou ou está trabalhando atualmente?
Altair: Comecei como ilustrador de livros de RPG pela editora Comic Store, lá ilustrei alguns livros, de lá passei a trabalhar como freelancer (E continuo até hoje), passei pela Ação e atualmente faço parte do time de ilustradores do RPG Brigada Ligeira Estelar, fora isso, eu estou envolvido em alguns projetos que devem dar as caras pelo ano que vem (Uma pena não poder dar detalhes).

Armon: Muitos desenhistas imprimem quadrinhos de forma independente para vender, outros disponibilizam na internet. O que você acha, qual é o caminho mais vantajoso hoje em dia para um quadrinista no Brasil?
Altair: Isso vai variar de autor pra autor, depende muito da ambição de cada um, desde que seja de alguma valia (Financeira ou não) para o autor que esteja disposto a expor sua obra por esses meios, ambos são vantajosos ainda mais usando a internet onde você consegue atingir um número alto de leitores em pouco tempo, e está dando certo, não é preciso procurar muito e se encontra muitos autores bons que infelizmente não conseguem suas obras impressas no Brasil de hoje, mas ao mesmo tempo não deixam de divulgar seus trabalhos.

Armon: Quais desenhistas você tem como referência para o seu trabalho? Pode citar nomes nacionais e internacionais também.
Altair: Muita gente me influencia direta ou indiretamente, dentre os mestres costumo citar: Eiichiro Oda, Akira Toriyama, Takehiko Inoue, Hiroaki Samura, Lee Chang Woo, JungGi Kim. Alguns nacionais: Roger Kruz, Edu Francisco, Erica Awano, Marcelo Braga e por aí vai...

Armon: Sobre histórias nacionais, costuma ler? Pode recomendar algumas que tenha lido?
Altair: Sim, me interesso bastante pelo mercado nacional, apesar de achar muito pequeno o número de títulos vendidos em banca. Alguns destaques: Graphic MSP, MSP 50, Henshin Mangá (Outra ótima oportunidade cedida pela JBC), Holy Avenger, Ledd, As aventuras de Megaman (Curtia muito esse!), Conexão Nanquim (Só aqui já tem uma porrada de séries bacanas), Tools Challenge, Van comic, entre outros, fora  que ainda fico sapiando pela internet e encontro muita coisa bacana (Muita mesmo!), alguns que ainda nem foram lançados.

Armon: Quem quiser conhecer mais sobre seu trabalho, pode encontrá-lo onde?
Altair: Meu devianart: http://altmess.deviantart.com/
E também meu facebook:

Armon: Quais são os planos para o futuro? Tem muita coisa vindo aí? Conte-nos um pouco!
Altair: Sim, planos e projetos nunca param :), Estou trabalhando em cima de uma série de minha autoria (Tenho algumas engavetadas e essa é a que está me tomando mais tempo atualmente) intitulada “Saltimbancos”, logo começo a soltar os primeiros sketches e sinopses, mas quanto ao futuro dela ainda não sei que caminho irei tomar, tentar uma versão impressa ou ficar na web. Fora isso, estou bastante empolgado com duas séries que participo como ilustrador, não posso dar detalhes... Mas esperem coisa boa vindo por aí!

Armon: Para finalizar, deixe aquele recadinho esperto para a galera que tá fazendo quadrinhos e querendo viver o sonho de ser publicado!
Altair: Se você pretende trabalhar com quadrinhos, primeiramente deve gostar muito do que está fazendo, curta cada etapa, cada processo. Tenha autodisciplina e autocrítica, procure sempre estar espalhando seu trabalho por todos os meios possíveis, saiba filtrar comentários sobre seu trabalho (Esqueça críticas destrutivas, você não precisa delas!) e nunca deixem de estudar seja cursos, livros, tutoriais pela internet... Acredite, sempre irá absorver algo  para melhorar sua maneira de fazer quadrinhos, acho que é isso. :)

***

Bom, então é isso...
Para todos aqueles que leram Jairo e curtiram, ou conseguiram acompanhar as páginas de Peitarrubra no Facebook, aguardem que em breve o Altair trará muitos novidades e tenho certeza que vocês estão ansiosos para ver assim como eu.
Preciso dizer que fiquei surpreso com a cordialidade que o Altair recebeu o convite para a entrevista. Ele é um rapaz super gente boa, gentil e bastante tranquilo. Nós desejamos muito sucesso em todas as suas empreitadas!
Foi um prazer ter você como nosso entrevistado!
E aí, curtiram a entrevista? Não esqueçam de deixar o seu comentário aqui em baixo!

Até a próxima!