sábado, 15 de julho de 2017

Anime Dark 2017

Olá, aqui quem digita é Andressa Gohan e desta vez venho xingar pra caramba falar sobre o evento que fui convidada a participar, que aconteceu em uma terra esquecida do planeta no Espírito Santo, o Anime Dark. Desde já inicio reportando a grande satisfação que é ser escolhida para estar ao lado de artistas que desenham pra cassete maravilhosos na Artist’s Alley, ter a oportunidade de trocar ideias sobre materiais, técnicas de desenho, ficar babando nos pornôs da Bianca Bernardi experiências em eventos, acompanhar o fenômeno K-pop ♥BTS♥lover♥crescendo cada vez mais galera dança pakaralhow, contato com o público Otaku capixaba... Bom... Sobre este último ponto... Vamos lá:

Não participo mais deste tipo de evento no meu estado como expositora. Fim do texto. Colocando em pratos limpos nem ia escrever este texto, sabe, mas o Fábio me pressionou psicologicamente ameaçou mostrar meus desenhos de 2004 que a Cristiane Armezina ganhou na época do grupo Carpe Diem.
O evento Anime Dark ocorre mais de uma vez ao ano (com temas variados) e já existe há muitos anos aqui no estado (não encontrei um site para direcionar exatamente o ano que começou, se alguém encontrar comenta aí, obrigada, de nada). Neste ano a estrutura estava muito boa, o local escolhido possui uma ótima localização (na área de eventos do Shopping Vitória), o preço do que foi servido (alimentação) no evento não estava abusivo, haviam muitas atrações para os convidados, ar condicionado bombando (precisei de uma blusa de frio, sério) e certamente como fã deste tipo de evento eu iria, sem sombra de dúvidas. As bandas fizeram um espetáculo à parte especialmente no último dia, que tocou um rock pesadoooo, que adooogow.


Mas o ponto que gostaria de falar não é o ponto de vista do fã, que certamente se divertiu muito no evento, mas de uma expositora da ala dos artistas. Não é novidade para o público Otaku e Geek capixaba a existência dos artistas independentes, pois não só aqui como em diversos eventos voltados para este público no Brasil é de conhecimento a variedade de produtos e itens autorais (alguns até exclusivos e limitados para o evento). O mercado autoral de quadrinhos cresce á cada ano (mesmo com as inúmeras crises econômicas dos últimos anos) e é possível ver em plataformas de financiamentos coletivos a força que o quadrinho nacional possui, oportunizando ao artista independente expor seu conteúdo em eventos diversos com um material de alta qualidade (vide nosso amado Era Uma Vez, que ultrapassou a meta no financiamento coletivo).


Em 2015 tive a oportunidade de me programar para ir a CCXP (como fã, não como expositora), ver como o público interage e financeiramente se dispõe a apoiar os artistas independentes. Pensei até que os artistas internacionais e stands de editoras com renome abafariam os artistas independentes, mas foi justamente o contrário. Estar ao lado do artista e receber todo o carinho (dedicatórias feitas na hora, autógrafos, tudo o que amamos) não tem preço. Os stands eram super disputados e haviam filas para autógrafos. Bom, mas não estou falando de CCXP, estou falando de evento no Espírito Santo, não é? Sabe tudo isso que acabei de falar sobre o contato do público com o artista independente, de comprar nossos produtos? Não aconteceu. Sério. Eu e o Gabriel Taliati representamos o Estúdio Armon no evento, a mesa ficou bonita, levei meus bonecos de biscuit tudo numa mala que ficou pesada pa caralhow tudo no busão para atrair mais a galera a entrar em contato com nossas publicações (mangás do Gabriel e nosso projeto Era com preços especiais vulgo barato e dane-se o lucro), além de prints e adesivos que eu fiz a um preço bem bacana para atingir todas as faixas de renda os pobres e lascados como eu.


O que vendemos mal pagou minha alimentação e meu transporte público, isso porque maloquei coloquei uns biscoitos e barrinhas de cereal, água, marmita fria tudo o que pude levar para economizar no evento, até porque não seria legal deixar a mesa sem o artista (as filas do rango estavam um pouco grandes devido a alguns problemas com maquinário da organização do evento). Cheguei a colocar vários recadinhos na mesa para a galera que via saber que podia levar o cartãozinho para casa, entrar na pagina e curtir, essas coisas, sabe. Outro ponto que prejudicou muito foi conversar com as pessoas, pois como disse acima, foram três palcos e a maior parte do tempo estavam funcionando ao mesmo tempo e não possibilitava conversar com o Gabriel que estava ao meu lado, quem dirá com as pessoas do outro lado da mesa. Ao contrário da timidez que percebo na maioria dos artistas, sou extrovertida, eu sorria, dava bom dia, tentava me comunicar, mas ficou muito difícil e ao final do dia já estava com a cabeça zoada com o som de três palcos ao mesmo tempo e a impossibilidade de explicar para quem chegava à mesa sobre nosso trabalho.

Durante os dois dias do evento, os artistas mal foram anunciados no palco principal, estávamos invisíveis ali. Cheguei a cogitar: caramba será que meu trabalho é tão ruim assim? Levei um puxão de orelha da Cris por pensar isso Então precisei encarar a realidade: não temos público para os artistas independentes no Espírito Santo. Não no mercado geek e de mangás. Imagino que online os artistas tenham mais visibilidade, pois infelizmente no nosso estado isso ainda não está estruturado entre o público.

Poderia pensar que outros fatores influenciaram nesse retorno financeiro zero do público, como o evento ser realizado na mesma época da CCXP Tour, em um feriado prolongado, divulgação de programação muito em cima da hora, causando dúvida de quem poderia ir, enfim, mesmo assim tentei buscar justificativas, mas a realidade confrontada é dura e triste. Bato palmas para os colegas que foram no dia e continuam a participar destes eventos, pois a força de vocês é encantadora. Mas não é pra mim. Não aqui na minha amada terra capixaba. Foram dois dias (desnecessários, a meu ver, pois com nosso pequeno público poderia facilmente ser realizado em apenas um dia) com muito som alto na cabeça, sem retorno financeiro, cansativos e a única coisa que prefiro manter como recordação foi a incrível experiência de trocar ideias com os artistas que lá compareceram, firmes e fortes, que são fantásticos e merecem um retorno antes que cheguem ao ponto que pretendo permanecer: no ostracismo em terras capixabas.

Para finalizar, confiram algumas fotos tiradas no evento. Até a próxima!










2 comentários:

  1. Obrigado pelo relato sincero. Esses eventos estão ficando ruins. Jogam os artistas que mais precisam de visibilidade numa fria enquanto que os mais conhecidos nem pagam para ter um belo espaco5 cheio de visibilidade, carinho e mimos.
    Parabéns por ter a coragem de falar a real. Muitos não fazem.

    Abraços.

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  2. Ahh, você praticamente descreveu o que eu passei na CATSU aqui em Uberlândia ;-; Mas acho que o jeito é tentar fazer melhor nas próximas oportunidades, não desistir de mostrar nossos trabalho :')

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