quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Armon Entrevista: João Eddie Araújo


Opa, e aí pessoal!

O mês de agosto já começou, o Estúdio Armon voltou a colocar carvão na fornalha e a velocidade vai aumentando rumo a novos quadrinhos e novos contatos! Junto com as dificuldades que o Estúdio vem enfrentando, nós, integrantes, vamos aprendendo a superá-las e crescendo não só como grupo mas também como pessoas para encarar responsabilidades. O bacana do Estúdio é isso, o aprendizado! E esse mês nós vamos aprender um pouco mais com o incansável João Eddie Araújo!

Autor de um dos mangás brasileiros mais famosos do cenário independente, apesar de ele não admitir, João Eddie vai nos falar um pouco sobre Ta no Sekai, como surgiu, para onde vai e também sobre seus projetos paralelos e sua rotina de desenhista. Ta no Sekai é uma das obras publicadas pela revista digital Conexão Nanquim e um dos mangás com mais capítulos do cenário independente. Ainda revelaremos com EXCLUSIVIDADE a capa do VOLUME 3 de Ta no Sekai, gentilmente cedida pelo João! Vamos ler a entrevista!


Estúdio Armon: Primeiramente obrigado pela presença aqui no nosso Estúdio. Conte-nos como foi o seu primeiro contato com o mundo dos quadrinhos. Como começou essa paixão?
João Eddie Araújo: Agradeço por esta oportunidade. Os quadrinhos sempre fizeram parte da minha vida, quanto a quando surgiu, bem isso já tem um tempo, mas com certeza foi com os personagens do Maurício de Souza, depois foi com Batman, X-men, e só com a chegada dos Cavaleiros e Dragon Ball pela Conrad é que fui conhecer os mangás.

Armon: De onde surgiu a inspiração para começar a fazer suas próprias histórias?
João: Eu lembro que assistia a Rede Manchete quando comecei a criar personagens. Eu fazia inúmeros jogos nos cadernos com regras e personagens todos inventados e tentava fazer baseado naqueles desenhos que eu via na TV. Quando eu tinha uns 13 anos cheguei a fazer um quadrinho chamado Dark Fighters que não terminei e estava ficando bem legal, mas sinceramente eu não sei aonde ele foi parar... (triste)

Armon: Pra você desenhar é... ?
João: Pode parecer exagero, mas pra mim é dar sentido a minha existência. Eu sou aquele tipo de pessoa que quer deixar um legado, alguma coisa que possa provar que eu estive por aqui, e o desenho me proporciona isso. Quando eu termino uma página de um mangá, eu sinto que aquilo é um pouco de mim que vai ficar para o mundo, mesmo que não seja algo grandioso, ainda assim é algo muito importante pra mim.

Armon: Vamos falar de Ta no Sekai, seu principal trabalho. Como surgiu a ideia para criar essa história?
João: Isso foi em 2010, eu estava há mais de cinco anos sem desenhar nada, na verdade eu estava tentando a carreira musical, estudei técnica vocal por três anos, compus algumas músicas e montei uma banda. Durante tudo isso, eu lembro que conheci o anime de Death Note e após assistir, voltei a assistir animes depois de muito tempo. Voltei a comprar mangás e decidi criar meu próprio mangá. Lembro que li em um livro sobre a simbologia da sombra e achei a idéia muito boa para ser tema de mangá. Mas logo, sem ter ainda experiência na área quadrinistica, achei que seria ideal tentar colocar esse mangá em algum site japonês porque não sabia o que fazer com um quadrinho no Brasil. Razão esta que me levou a fazer o mangá chamar-se TaNoSekai, ser no sentido de leitura oriental e ter desde os personagens até as onomatopéias em japonês, fato este que faz muita gente ter um pé atrás com ele, sendo que este tipo de quadrinho por aqui é visto como coisa de amador. Mas minha idéia era tentar traduzir para o japonês mais tarde. Apesar de trabalhar até hoje em um quadrinho todo “oriental”, eu incentivo ao pessoal que criem quadrinhos como “gibizão” mesmo no sentido ocidental, acreditem, assim seu trabalho terá mais chances de chegar a algum lugar, se for fazer oriental faça tudo em japonês e mande pro Japão.

Armon: Ta no Sekai hoje é um dos mangás brasileiros mais famosos na internet. Você imaginou que chegaria nesse nível quando começou a desenhá-lo? Como surgiu a oportunidade na Conexão Nanquim?
João: Não sei se é tão famoso assim (risos), mas fico muito satisfeito com o quão longe ele já chegou. Depois de abandonar a ideia de publicar em japonês eu lancei ele no portal de quadrinhos DpZine, e Ta no Sekai foi muito bem aceito pelos leitores. Lembro que nem internet em casa eu tinha (risos) e precisava correr para Lan House para enviar os capítulos, e para ser sincero eu até pensei em desistir algumas vezes, mas foi o interesse dos leitores pela história de Kentaro e Sanae que me mantiveram firme com a história. O lance com a Conequim aconteceu quando o Dpzine estava passando por algumas dificuldades, eu vi algumas postagens no Facebook com a capa da revista Conexão Nanquim e achei a proposta muita interessante. Enviei um e-mail para o editor chefe, o Caique Seraphin, e Ta No Sekai foi aceito pela revista. Porém teve que ser relançado desde o primeiro capítulo, sendo que já se havia parado no capítulo 10 no Dpzine e ainda tinha o fato de estar no sentido oriental que deu certa dor de cabeça para os editores espelharem cada capítulo (risos). Mas Ta No Sekai foi ganhando seu espaço na revista, onde conheci muita gente fera. O que me fez amadurecer muito como profissional e até mesmo sair da minha banda (que foi por muito tempo um grande sonho que eu tinha) para me dedicar inteiramente aos quadrinhos.

Armon: Nos conte qual é o processo de criação das páginas e dos capítulos.
João: Em primeiro lugar o capítulo tem seu roteiro todo digitado no computador, logo depois eu faço o rascunho das vinte páginas, apenas o esboço a lápis. Em seguida faço os desenhos mais detalhados, ainda no rascunho, para só depois finalizar cada página com nanquim, e geralmente com uma boa trilha sonora ao fundo.

Armon: Ta no Sekai também é um dos mangás brasileiros que possuem mais capítulos de duração. A maioria dos desenhistas não tem pique para fazer histórias maiores e desistem no meio do caminho. Qual a sua motivação para continuar?
João: Ta no Sekai já tem o final definido. Levei certo tempo escrevendo a história e fui detalhando mais tarde, mas ela já está pronta. Acho que dificilmente você concluirá de forma digna um trabalho que você for criando no meio do caminho, antes de começar tenha o meio e o fim em mente. Tento sempre manter a meta de uma página diária, sempre adotei este método, o que não torna cansativo nem nada do tipo, quando não faço essa página, fico com uma culpa danada, mas não tento compensar no outro dia, apenas se der vontade mesmo.

Armon: Já consegue enxergar um final ou tem alguma previsão de quando irá terminar Ta no Sekai?
João: No começo ele seria ainda maior, conforme fui convivendo com outros artistas e aprendendo o que era o mundo dos quadrinhos no Brasil e o que significava ter uma oportunidade, eu resolvi rever o roteiro do Ta No Sekai e fazer alguns cortes para concluir a história antes do imaginado. Não que eu ache que esteja perdendo meu tempo, longe disso, afinal é com este trabalho que aprendi e aprendo cada vez mais. Porém tenho muitos projetos em mente o qual precisarei dedicação total e todo tempo possível ao meu dispor. Creio eu que Ta No Sekai terá cerca de seis volumes digitais, cada um com mais de duzentas páginas, atualmente ele encontra-se no terceiro volume então é provável que ele dure mais uns quatro ou cinco anos, (Sim, Sanae vai aparecer de novo)

Armon: Costuma frequentar feiras de fanzines ou vender impressos? Conte-nos quais são suas experiências nesse quesito.
João: Infelizmente moro em tão, tão distante... (risos) e ainda freqüentei poucos eventos relacionados à mangás, apenas Anime Xtreme e Anime Buzz que são mais próximos de onde moro. Ainda não vendi nada impresso, até pensei em publicar Ta No Sekai talvez usando o Catarse, mas abandonei esta idéia por achar que ainda tenho muito a melhorar. Quando alguém for comprar algum quadrinho de minha autoria, quero poder oferecer o máximo do meu trabalho, e Ta No Sekai já é um trabalho de tempos, quando comecei tinha muito que aprender.

Armon: Muitos desenhistas brasileiros estão desistindo do impresso e passando apenas a divulgar pela internet. Qual a sua opinião sobre isso?
João: Acho que depende de cada um, cada artista tem seu meio de levar o seu trabalho, alguns levam mais a sério, outros mais como diversão, mas independente de qualquer coisa o importante é que façam algo. Entretanto convenhamos que ler um quadrinho na tela do computador não se compara com ter um volume impresso em mãos, porém sabemos que não é fácil manter um trabalho independente neste formato.

Armon: Qual o maior obstáculo que enfrentamos no Brasil para tornar a cultura do quadrinho nacional ser mais conhecida?
João: Ao que me parece a situação estão melhorando para o quadrinista nacional, pois mais editoras estão abrindo espaço para títulos nacionais. Basta o pessoal continuar insistindo e as editoras incentivando.

Armon: Quais são seus autores de referência? Pode ser nacional ou internacional.
João: Tenho mais por autores dos anos 80 e 90, gosto mais da arte daquela época por algum motivo. Mikimoto Haruhiko, Yoshihiro Togashi, Kentaro Miura, Yoshikazu Yasuhiko, Tetsuya Chiba, Katsuhiro Otomo, Mitsuru Adachi, Leiji Matsumoto e o grande Myazaki. Referência de quadrinista nacional não tenho nada, afinal o quadrinho nacional no estilo mangá (que é o meu estilo), é consideravelmente algo um pouco recente ainda. Se quiser saber mais sobre autores que admiro é só observar os nomes de muitos personagens de Ta No Sekai (Risos)

Armon: Recomenda algum quadrinho nacional de qualidade para quem costuma acessar o site do Estúdio Armon?
João: Os conhecidos Holy Avenger e Ledd com certeza, mas também tem o pessoal que anda se destacando na internet, e hoje temos bons títulos como Tools Challenge, Egoman, Redland, Heart of Sphere, Punch & Money e tantos outros que com certeza cometerei o erro imbecil de me esquecer de citar, podem me xingar depois pessoal!

Armon: Quem quiser conhecer mais o seu trabalho e ler Ta no Sekai, pode encontrá-lo disponível onde? Deixe seus links de contato também.
João: Em primeiro lugar no blog do próprio Ta no Sekai onde sempre posto primeiro as novidades e onde você pode baixar os capítulos do mangá ou ler online mesmo: www.tanosekai.blogspot.com
Através da Fan Page no Facebook: 
Qualquer um destes links é o suficiente para qualquer um acompanhar meu trabalho, os lançamentos dos capítulos do TaNoSekai geralmente no dia 30 de cada mês, e os lançamentos dos meus One-Shots.

Armon: Projetos para o futuro? Encadernados do Ta no Sekai? Catarse? Pode nos contar seus planos?
João: Catarse, impresso, isso aí para o Ta No Sekai só vou pensar quando estiver terminando o mangá, e caso haja muito interesse dos leitores. É algo que exige muita responsabilidade e tem que ser muito bem feito, destaque para o Max Andrade que soube muito bem como fazer isto. No momento tenho outros planos em mente, estou mais focado nos One-shots, pra mim hoje eles são o futuro do quadrinista nacional. Realmente as possibilidades de me aventurar em uma série longeva novamente são poucas. Penso que você tem que estar sempre criando novos trabalhos e os apresentando para grandes editoras, ou pessoas que entendam do assunto. Essa é uma forma de amadurecer como artista e de obter sucesso nesse ramo. Não vale a pena insistir em um trabalho que não te dá frutos se é sucesso que procura. Insisto com Ta No Sekai porque me comprometi a terminá-lo e porque aprendo muito com ele. Mas aposto mesmo nos meus One-shots, que até o momento tenho dois. O que enviei para o concurso da Shonen Jump em 2012, DEX – The Gamer, e o que participei do BMA (Brazil Manga Awards – JBC) de 2013, Clube da Sala 327. Já estou trabalhando em um novo mangá e o que posso adiantar é que envolverá mechas e um cenário pós-apocalíptico, Sou grande fã da série Gundam e se tudo correr bem, eu pretendo apostar em trabalhos desse gênero, mas tenho em mente também projetos de diferentes estilos para mais adiante.

Armon: Para finalizar deixe um recado para o leitor que também almeja viver de sua própria arte.
João: O autor tem que estar ciente de algo, ao enviar um trabalho seu para uma editora que publica Naruto, por exemplo, ela só vai publicar seu trabalho se ela vir um potencial de vendas ali, todos tem contas a pagar e todos tem que enxergar isso como algo profissional. Ninguém vai publicar seu quadrinho por camaradagem, isso já foi dito várias vezes por outros artistas e volto a dizer, se você quer fazer quadrinhos para ganhar muito dinheiro, então desista agora mesmo. Tem que ser muito bom para viver disto, mas se você for realmente muito dedicado e mostrar ter garra e perseverança, nada impede de você ter seu trabalho aceito por uma editora, não é nada fácil, mas não é impossível.

***

É isso aí, galera! Ta no Sekai segue com toda a força e o grande João Eddie se esforçando ao máximo para criar uma das melhores histórias nacionais que eu já li! Sem dúvida alguma, o material é de qualidade!

Geralmente pego mangás independentes para ler e Ta no Sekai foi um dos que eu mais curti! Quando o João fecha uma certa quantidade de capítulos, ele reúne em um volume digital encadernado e atualmente possui dois volumes.

O terceiro será lançado em breve e o João fez questão de divulgar a capa do terceiro volume com exclusividade aqui no site do Estúdio Armon! Confira a belíssima capa aqui ao lado!

Não deixem de conferir os empolgantes capítulos de Ta no Sekai e acompanhar o trabalho do João com seus one-shots cada vez mais caprichados! O cara é fera demais e com certeza é um dos grandes nomes do cenário independente no Brasil!

Sucesso, João! E obrigado pela gentileza!
Até a próxima!

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